RH e coronavírus: como se adaptar e responder aos impactos da pandemia?

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Publicado dia 07/04/2020

RH e coronavírus: como se adaptar e responder aos impactos da pandemia?

 

Conheça algumas práticas que o RH pode adotar para garantir a saúde e o bem-estar dos colaboradores em meio à transmissão do coronavírus. 

O ano de 2020 chegou trazendo um desafio de grandes dimensões e para o qual ninguém estava preparado: o novo coronavírus. Desde que o primeiro caso da COVID-19 foi confirmado no Brasil, em meados de fevereiro, muito se tem discutido sobre as medidas de contenção do vírus. Tais ações passam, inevitavelmente, pelo RH – área que, mais do que nunca, assume um papel fundamental na garantia de proteção e segurança dos colaboradores em meio à disseminação da doença. Sendo assim, a relação RH e coronavírus é uma prioridade atualmente para os recursos humanos de todas as empresas.
Diante deste cenário inédito, muitos profissionais de RH têm se questionado sobre os impactos reais que o coronavírus traz para área e discutido a melhor forma de se adaptar para enfrentar a COVID-19. Pensando nisso, separamos algumas dicas para auxiliar você, gestor de RH, a compreender melhor o momento atual e a colocar em prática medidas preventivas que ajudarão a garantir a saúde física e mental dos funcionários de sua companhia. Boa leitura!

O que é o coronavírus, afinal?

Antes de falarmos sobre os impactos da COVID-19 no RH, é importante resgatar algumas informações sobre a  doença. De acordo com o Ministério da Saúde, o coronavírus é uma família de vírus que causam infecções respiratórias, que podem variar desde um resfriado comum, até doenças mais graves, como a Síndrome Respiratória do Oriente Médio (MERS) e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).

O novo agente do vírus foi descoberto em dezembro de 2019, após casos  registrados em Wuhan, na China, e de lá para cá, se espalhou para outros países. A situação fez com que a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarasse, no início de março, que estávamos vivendo uma pandemia. Vale explicar que essa definição não depende de um número específico de casos, mas sim do patamar que uma doença atinge ao contaminar um grande número de pessoas em diferentes lugares do mundo.

Os sintomas mais comuns do mal recém-descoberto, que recebeu o nome de COVID-19, incluem febre, cansaço, tosse seca e dificuldade em respirar. Além disso, alguns pacientes também podem apresentar congestão nasal, coriza e dor de garganta.

Esses sinais podem aparecer de dois a 14 dias após a exposição ao vírus e os pacientes com sintomas leves podem e devem ser tratados em casa. Já para os pacientes que apresentarem sinais de alerta de emergência, como falta de ar, dor ou pressão persistente no peito, confusão mental e lábios ou rosto azulados, devem procurar atendimento médico imediatamente.

Pessoas idosas e com problemas médicos adjacentes, como pressão alta, doenças cardíacas e diabetes, têm maior probabilidade de desenvolver um quadro grave da doença, que se espalha facilmente por meio de pequenas gotículas do nariz ou da boca, expelidas por uma pessoa com a COVID-19. Essas gotículas, por sua vez, podem ser depositadas em objetos e superfícies ao redor da pessoa, fazendo com que outros indivíduos sejam infectados ao tocarem esses objetos ou superfícies e depois levarem as mãos ao nariz, à boca ou aos olhos.

Por esse motivo, a forma mais eficaz de prevenir o contágio do novo coronavírus, até o momento, é adotar as seguintes recomendações:

Lave as mãos com água e sabão ou, quando não for possível, usar álcool em gel.
Cubra o nariz e a boca ao espirrar ou tossir.
Evitar aglomerações.
Mantenha os ambientes bem ventilados.
Não compartilhe objetos pessoais.

Outras boas práticas como evitar abraços, beijos e apertos de mão, dando preferência para outros cumprimentos gentis sem contato físico; utilizar lenços descartáveis para a limpeza nasal; e manter uma alimentação saudável, bem como uma boa rotina de sono, também são grandes aliadas deste momento.

Os reflexos da pandemia no trabalho

Na luta contra a propagação do vírus no Brasil, o país tem adotado uma série de medidas, a exemplo do que já vem acontecendo em âmbito mundial. Entre elas, destacam-se as ações de isolamento social com o objetivo de tentar frear a propagação da doença.

Em São Paulo, por exemplo, o governador João Doria determinou quarentena (de 15 dias) em todos os municípios do Estado, desde o dia 24 de março. Com a medida, estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços tiveram que suspender o atendimento presencial.

Já no âmbito do trabalho, de forma geral, a principal recomendação do Ministério da Saúde é de que colaboradores, que tiverem diagnóstico confirmado ou suspeito do coronavírus, devem ser mantidos em isolamento, domiciliar ou hospitalar. Além disso, os colegas que conviveram de forma próxima com o caso suspeito ou confirmado, também devem ser mantidos em isolamento, mesmo não tendo apresentado nenhum sintoma.

Entre as outras sugestões do Ministério da Saúde estão:

Estabelecer horários diferenciados, para evitar aglomerações nas entradas e saídas de funcionários, bem como durante o almoço;
Ao ir ao trabalho, mesmo que não seja com o transporte fornecido pela empresa, é indispensável o uso do álcool em gel ou a lavagem das mãos assim que chegar na empresa;
Manter os objetos de uso comum ou compartilhado sempre limpos, já que eles podem auxiliar na transmissão do vírus.

Diante dessas e outras recomendações, o novo coronavírus tem mudado a rotina de diversos escritórios e locais de trabalho de maneira significativa. A fim de reforçar as medidas preventivas, muitas empresas adotaram ações extras como home office, férias coletivas, cancelamento de viagens e demais eventos. No centro dessas decisões, a área de RH se destaca como uma das protagonistas, conforme abordaremos na sequência.

Qual é o papel do RH neste contexto?

Casos como o que estamos vivenciando no momento, evidenciam um fato: é fundamental que a equipe de RH esteja atualizada para resolver as novas demandas que têm surgido em tempos de pandemia. Nestes casos, a prioridade é cuidar do bem estar dos colaboradores e capacitar os líderes para que façam o mesmo.

Vale lembrar que esse cuidado com o bem estar não envolve apenas a saúde física, mas também a mental, já que a situação enfrentada atualmente gera um ambiente de constante preocupação, instabilidade e ansiedade.

Pensando nisso, listaremos abaixo quatro iniciativas que podem contribuir para a prevenção da COVID-19, para o fortalecimento da relação da empresa com os seus colaboradores e para a adoção de um ambiente de trabalho seguro e confortável. Vamos lá?

1. Informação de qualidade em primeiro lugar

Como dissemos anteriormente, o clima de incertezas trazido pela pandemia tem levado às empresas a repensarem suas estratégias e, inevitavelmente, definirem um novo planejamento.

Todas essas questões podem gerar um alto nível de ansiedade nos colaboradores, que não sabem o que esperar, e uma das formas de amenizar a questão é manter uma linha de comunicação transparente entre eles e a gestão da empresa, com o objetivo de alinhar os próximos passos a serem seguidos pela companhia.

Mas não para por aí: além de informar sobre as medidas preventivas adotadas internamente, também é extremamente importante informar os colaboradores sobre as dicas de prevenção do Ministério da Saúde, bem como incentivar o comprometimento de todos na contenção do vírus.

Entre as atitudes que devem ser incentivadas pelo RH, destacam-se: reforçar as práticas de higiene, disponibilizar álcool em gel (70%) em diferentes locais da empresa, desencorajar o compartilhamento de espaços e objetos, promover a limpeza regular de todos os espaços e avaliar a flexibilização de horários para evitar aglomerações nos setores.

Vale lembrar que nesta época, as fake news costumam se disseminar rapidamente e que o RH pode atuar nesta frente, evitando que conteúdos falsos sejam compartilhados na empresa e gerem ainda mais medo, bem como apostando sempre na divulgação de informações de fontes confiáveis.

É muito importante que a empresa não crie pânico nos colaboradores e o RH é parte fundamental nesta missão. Promover palestras online com profissionais da área de saúde, por exemplo, é uma ótima forma de esclarecer dúvidas e tornar o assunto mais leve.

2. Adoção do regime home office

Apesar de o trabalho remoto já ser um método conhecido, ele ganhou ainda mais força em meio à pandemia. Para evitar aglomerações, as empresas têm recorrido a ele para manter os colaboradores trabalhando nas respectivas casas.

É importante pontuar que não é necessário alterar o contrato de trabalho para liberar o profissional para o home office, ainda mais em períodos emergenciais. Basta combinar os detalhes para que todos fiquem confortáveis com o novo formato.

Há, ainda, algumas dicas que podem ajudar na implantação desta modalidade, como, por exemplo, o estabelecimento de uma política para o teletrabalho. Uma boa saída é reunir todos os envolvidos e discutir os papéis de cada um, tirando dúvidas e esclarecendo todos os pontos, inclusive jurídicos, dessa decisão. Também é válido estabelecer compromissos e expectativas quanto aos resultados e entregas.

Para que o colaborador possa desenvolver todas suas atividades em casa, é fundamental que a empresa forneça as ferramentas necessárias, como computador, celular, entre outros. Por fim, a gestão também precisa estar apta a dar todo o suporte necessário ao teletrabalhador, acompanhando-o, criando instrumentos para a produtividade e fornecendo dicas sobre este novo formato de trabalho.

Além de incentivar e assegurar que todos os recursos necessários sejam disponibilizados aos colaboradores, também é papel do RH preparar as lideranças para compreenderem a individualidade de cada colaborador e lidarem com essa nova realidade de trabalho da melhor forma possível. Afinal, uma liderança bem preparada certamente ajudará a diminuir os níveis de ansiedade da equipe e favorecer a boa performance do time.

3. Fazendo da tecnologia uma aliada

Não é de hoje que a transformação digital tem trazido muitas facilidades para o dia a dia das empresas. Na atual conjuntura, a tecnologia tem mostrado que é uma peça-chave na estratégia das organizações.

Com o home office ganhando espaço, o RH pode e deve se apropriar de recursos tecnológicos para gerir, controlar, monitorar e avaliar as equipes à distância. Algumas soluções existentes, por exemplo, já permitem que os funcionários registrem o ponto eletrônico por meio de aplicativos de geolocalização, validação biométrica ou reconhecimento facial. Além disso, até operações como o processamento da folha de pagamento e de ponto também poder sem feitas na nuvem de forma segura.

Para evitar contato físico e aglomerações, é recomendado fazer uso de plataformas de videoconferência para as entrevistas de recrutamento e seleção, bem como treinamentos de colaboradores. Alguns softwares, inclusive, vão além das chamadas de vídeo e possibilitam a aplicação de testes online e análise de currículos. Até mesmo o envio de documentos pessoais para o processo de admissão pode ser feito virtualmente.

Outra boa dica para otimizar a gestão do RH é disponibilizar uma plataforma para que os colaboradores possam enviar atestados médicos, além de aplicativos para comunicação interna, compartilhamento de arquivos e gerenciamento de tarefas.

4. Ampliando conhecimentos

Apesar de caótico, o momento atual traz também a oportunidade de aperfeiçoamento – tanto aos profissionais de RH quanto aos profissionais de outras áreas. E mais do que consumir esses insumos, o RH pode assumir o papel de incentivar que os colaboradores façam o mesmo, por meio da indicação de cursos e materiais de leitura.

Atualmente, existem uma série de conteúdos e cursos online e gratuitos, que podem lhe ajudar a ampliar seus conhecimentos neste período de quarentena. Há, ainda, diversas empresas realizando webinars e lives para promover discussões relevantes. No canal da Share RH, por exemplo, é possível encontrar uma série webinars sobre a área de Recursos Humanos, que abordam pautas que vão desde “Boas práticas para momentos de incertezas” até “Ansiedade X Produtividade”.

Conclusão

Ainda há muitas questões em aberto sobre a pandemia da COVID-19 e os impactos que ela trará futuramente. Desde a sua descoberta, em dezembro de 2019, a doença já deixou marcas nas bolsas de valores internacionais, bem como na produção de produtos e materiais no mundo.

No entanto, uma coisa é certa: em meio a tantas mudanças e incertezas, há também a oportunidade de aprendizado e manter a confiança entre a gestão de RH, e os colaboradores das empresas é essencial para lidar com momentos como este.

As companhias brasileiras e do mundo a fora estão passando por diferentes realidades para tentar amenizar o cenário de crise. Mais do que ações, a situação atual também pede por uma reflexão sobre como é possível tornar as relações de trabalho mais humanas e menos competitivas, em prol do bem comum, e o profissional de RH é uma peça-chave ao longo deste processo.

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